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Corre pela tua saúde

Um estudo ao coração revela que o tipo de exercício pode mudar a estrutura de sobrevivência do corpo de forma negativa ou positiva.

Fortalece o coração e corre para teres uma vida mais longa

O coração humano é um órgão realmente impressionante. Uma bomba perfeitamente calibrada que faz circular o sangue e o oxigénio por todo o corpo, o coração sabe mais ou menos o que fazer antes sequer de estar completamente formado. Uma das mais melhores apólices de seguro que tens contra o seu "descarrilamento" é algo que te é inato.

De acordo com um estudo recente publicado no jornal PNAS, tal como o teu cérebro está programado para aprender e crescer, o teu coração está preparado para se adaptar ao movimento, sobretudo o de resistência. Nesse estudo, os investigadores compararam os corações de chimpanzés com os de pessoas sedentárias, agricultores de subsistência nativos americanos, corredores de longa distância e jogadores de linha de futebol americano.

O que a equipa descobriu: apenas nos humanos é que o ventrículo esquerdo do coração (a câmara que bombeia o sangue para o resto do corpo) é mais estreito e alongado, o que facilita a expansão do músculo cardíaco. Um ventrículo esquerdo maior, que encontraram no grupo de corredores de fundo e, em menor grau, nos agricultores de subsistência (que fazem muitas caminhadas), permite que o coração seja mais eficiente, bombeando mais sangue com cada batimento. Isto significa que o teu coração tem uma maior vantagem, que pode fazer com que os teus treinos, tal como as tuas tarefas diárias, não pareçam tão difíceis.

Por outro lado, quem não pratica regularmente atividades de resistência tem um resultado muito diferente: um coração adaptado à pressão, ou seja, o órgão na realidade muda de estrutura para transportar o sangue em vasos comprimidos, afirma o coautor do estudo Daniel Lieberman, doutorado e professor de biologia evolucionária humana em Harvard. Isto pode fazer com que as paredes se tornem mais espessas e mais rijas e, consequentemente, exigir mais esforço do coração. Foi o que se verificou com os jogadores de linha de futebol americano, que privilegiam o treino de força em detrimento das corridas de distância, e com os macacos, que não evoluíram para movimentos sustentados como os humanos. O mesmo se verificou com as pessoas sedentárias, que corriam o risco de vir a desenvolver hipertensão.

Por outro lado, quem não pratica regularmente atividades de resistência tem um resultado muito diferente: um coração adaptado à pressão, ou seja, o órgão na realidade muda de estrutura para transportar o sangue em vasos comprimidos.

Daniel Lieberman, doutorado e professor de biologia evolucionária humana em Harvard

A postos para uma remodelação?

A boa notícia é que é possível começar imediatamente a construir um coração mais forte, mesmo que o teu já tenha sido reestruturado com base na forma como te tens (ou não) movimentado. Num espaço de quatro a seis semanas de treino regular de resistência (ou seja, 150 minutos por semana, segundo os registos da American College of Sports Medicine), poderás começar a ver mudanças cardiovasculares, como corridas ou escaladas mais fáceis, graças à expansão do referido ventrículo esquerdo. "Todos os quilómetros que fizeres também aumentarão o número de minúsculos vasos sanguíneos e de células produtoras de energia no coração, que permitem que as artérias captem mais oxigénio", afirma Barry Franklin, doutorado e diretor de cardiologia preventiva e reabilitação cardíaca no Beaumont Health em Royal Oak, no Michigan.

Para veres as melhorias em ação, anota a tua frequência cardíaca em repouso no dispositivo que usas para monitorizar as atividades. Uma frequência cardíaca mais baixa em repouso, um subproduto do trabalho de resistência, dá mais tempo ao teu coração para se encher de sangue. Segundo Franklin, não só conseguirás ir ainda mais além durante os treinos e exercícios aeróbicos, mas também reforçarás a tua saúde a longo prazo: cada redução de 10 batimentos por minuto (bpm) na frequência cardíaca em repouso melhora a tua condição física o suficiente para reduzir o risco de doenças cardíacas e a mortalidade por todo o tipo de causas em 15 a 20%. Franklin afirma que os atletas mais saudáveis têm uma frequência cardíaca em repouso de cerca de 40 a 65 bpm, embora a Associação Americana de Cardiologia indique que qualquer valor entre 60 e 100 é normal.

É claro que o treino com pesos tem indubitavelmente um papel importante num regime de treino equilibrado. Segundo Franklin, pode desenvolver força e resistência musculares, melhorar a sensibilidade à insulina e aumentar a massa magra do corpo e o teu metabolismo. "Mas se só fizermos isso, podemos vir a pagar caro", acrescenta Lieberman. Não é preciso tornares-te um corredor de maratonas, mas quem quer ser um chimpanzé?

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